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Meditação sem objeto

Por vezes, meditar com um objeto específico (a respiração, a sensação de partes do corpo, mantra, a posição, estados emocionais amorosos, uma disciplina rígida na forma etc.) nos dá uma sensação de âncora para conter os pensamentos e emoções quotidianos que parecem interferir e não ser adequados. Porém, ao mesmo tempo, acaba limitando a experiência a esse objeto e a essa mentalidade. A meditação profunda produz uma sensação de paz extrema e felicidade sem motivação externa. Normalmente, ela envolve abandonar esses objetos meditativos pouco a pouco durante o refinamento do estado meditativo. A respiração, por exemplo, vai ficando mais sutil e profunda e já não produz movimentos no abdômen. A sensação do corpo se perde com o amortecimento total da posição firme. A disciplina zen se torna uma segunda natureza e não mais incomoda. E assim por diante. A partir daí, se entra em jhana (estado meditativo sublime e profundo) e já não há mais objeto meditativo. Na prática do Dzogchen, existe um ...

Meditação Laica - sua origem e potencial

A meditação no estilo jhana (sânsc. " dhyana ") talvez seja a mais comum representação que a palavra "meditação" evoque hoje em dia: uma pessoa de pernas cruzadas na posição de lótus e as mãos descansando sobre os joelhos ou aninhadas no colo. O imaginário popular atribui a tal prática uma série de possibilidades: o poder de concentração até o “esvaziamento da mente", a "purificação" das energias (num sentido pseudocientífico da palavra), uma panaceia contra quaisquer transtornos mentais, poderes paranormais, a produção de experiências de transe e transcendência... Talvez até a iluminação! Apesar da romantização e da grave influência de crenças sobrenaturalistas asiáticas, existe alguma verdade nos benefícios para a saúde mental e física. O jhana nasceu na antiguidade no subcontinente indiano (provavelmente entre os séculos X e VI a.C.). Ingressou no mundo como uma prática religiosa de seitas hindus. Sua popularidade fora da Ásia aumentou na segunda...

Os ganhos de uma meditação materialista

A meditação sem doutrinação ascética budista/hindu tem um potencial muito maior de produzir o autoconhecimento. Não há mais três ideias malignas e corruptas dessas doutrinas: 1. A ideia de que há estados mentais (pensamentos, emoções, sensações etc.) bons ou maus em essência, levando a exaltar uns e reprimir os outros. Essa ideia de dirigir a mente e policiar o pensamento leva à distorção da experiência psíquica; 2. A ideia de que existem estados "vazios" ou "puros" nos quais a mente tem algum tipo libertação ou revelação, o que reforça sugestionamentos para confirmar as superstições; 3. A perseguição do êxtase, isto é, de absorção meditativa que produz estados alterados de consciência geralmente em retiros com privação sono, alimentação irregular, recitação monótona e hipnótica de texto em língua morta e a contemplação de manuais que descrevem tais estados de consciência. Estes são a base para a ideologia religiosa se legitimar, afinal tal êxtase é lido pela mente ...