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Mostrando postagens com o rótulo Ciência

Grupos Anônimos (12 passos) são um problema sério

Eu costumava ter transtorno de uso de álcool. Muitas pessoas conhecem as famosas comunidades terapêuticas baseadas nos 12 passos, como Alcoólicos Anônimos e outros grupos Anônimos (Al-Anon, Dependentes de Amor e Sexo, Narcóticos, Nicotina, etc.). Participei desses grupos após ter contato com uma pessoa da mesma religião que praticava na época, e tive uma experiência tão horrível com a mentalidade desses grupos que até colocou em risco minha recuperação desse transtorno por algum tempo. Esses grupos funcionam basicamente através de cura pela fé: a pessoa recebe a sugestão insistente de que deveria seguir doze passos para recuperação. Os passos são: 1º. Admitimos que éramos impotentes perante a nossa adicção, que nossas vidas tinham se tornado incontroláveis. 2º. Viemos a acreditar que um Poder maior do que nós poderia devolver-nos à sanidade. 3º. Decidimos entregar nossa vontade e nossas vidas aos cuidados de Deus, da maneira como nós O compreendíamos. 4º. Fizemos um profundo e destemid...

A lógica criacionista se derrota a si mesma

Muitas pessoas que acreditam num deus criador não se metem a pensar que essa ideia tem alguma comprovação: dizem que procede da fé. Esta é uma postura honesta e respeitável. Porém, umas poucas pessoas desonestas intelectualmente querem fingir que essas ideias podem ser absolutamente conhecidas pelo intelecto através de pensamento indutivo e dedutivo. Inventam vastos campos de construtos pseudo-lógicos para cuspir a conclusão: só pode ter sido o universo criado por um deus eterno. Depois de todo o cansado trabalho de suas falácias, com o intelecto insatisfeito (se o possuem), buscam atacar a quem percebem como seus rivais, as pessoas ateias ‐ nós. Dizem de nossa posição: "Vocês estão fora da sanidade por querer propor que o universo surgiu de um passe de mágica." Que afirmação tão ousada quanto estúpida! Minha boa alma iludida, preste atenção e anote bem: o ateísmo não afirma nada sobre a origem de nada no universo. Não temos o compromisso nem o dever de explicar coisas que nã...

Fragmentos Irreligiosos V

O darma dos budas de todos os tempos é um ensinamento que vê tudo que temos como verdade como meras ilusões e criações da nossa confusão existencial. Essa própria doutrina nasce da confusão existencial de quem a escreveu (um corpo de monges celibatários num período próximo ao começo da era cristã). Nada poderia ser mais fantasioso que esse tipo de visão que confunde delírios sugestionados de ascetas famintos e com privação de sono com algum tipo de revelação. Talvez fosse conveniente num tempo de miséria, exploração e guerras brutais negar a existência do mundo e da realidade do próprio eu. A partir dessas doutrinas que desprezam a vida natural, se construiu um monumento à míngua da humanidade, à demolição de seu potencial como espécie e um amor à aniquilação da própria existência. Ora, Nibbana significa "aniquilação", o mesmo que ir além dessa existência. É, essencialmente, um culto do além-vida como uma promessa de cessação de nossos infortúnios. Daí que os sistemas de medi...

Materialismo e maravilhamento

Pergunta: O materialismo não é muito seco e desprovido de poesia? Sigo uma religião pela beleza de suas narrativas e pela singeleza de suas mensagens. Eu: A pessoa materialista tem um maravilhamento com a vida até maior que uma pessoa iludida. Não precisa de personagen e de simplificar as complexidades. O pensamento desejoso não tenta moldar nem o cosmo nem a natureza humana com delírios que na verdade são feios e fadados a se tornar a zombaria de gerações vindouras. Os mistérios do universo encantam. A poesia da natureza é muitas vezes mais surpreendente que a imaginação dos teólogos e místicos. Estes tem uma criatividade bem lamentável, na verdade  Um poema: O sábio do Tibete ou da Índia num tempo de Govinda e Gopala prega um vazio um tanto vago, que não me parede nada: "Não tente nada, não deseje nada. Esteja sempre na mente pura sem um grão de poeira, sem desejar nem adicionar." Sinto muito, não sou estátua. Que o vazio é vazio, todos sabem e que sua mente é vazia  já sus...

A inconsistência da reencarnação

A pergunta: Se existe reencarnação, como a população da Terra mais que dobrou? R: Aquelus que acreditam em renascimento ou reencarnação têm muitas abordagens diferentes. Budistas negam a possibilidade de conhecer o início do samsara ("a perambulação"). Não aceitam que é uma alma que encarna, mas sim carma ("ação") de um ser que partiu e ficou sem resolução. O darma ("a lei") determina que uma nova manifestação nasça para lidar com o carma não resolvido. A manifestação não precisa ser humana ou estar na Terra. Pode ser em outros mundos, pode ser em outras dimensões.  Agora, muitas doutrinas hindus pregam que existe um atman ("eu"), que é como uma alma e viaja ao redor do universo, tendo nascido em muitos reinos, formas e planetas. Portanto, o número de seres seria infinito. O carma seria uma das leis de um deus e significa "ação que envolve o ser nas tramas no samsara", enquanto outra lei seria o darma, que basicamente significa "se...

A liberdade religiosa e o livre-pensamento

 No que consiste o livre-pensamento? Muita confusão aqui porque muitas pessoas pensam que este é apenas o pensamento desinibido de qualquer convenção, livre para cada um segundo seu contexto. E de algum modo isso poderia ser verdade se o pensamento da humanidade não estivessse localizado numa história de restrições, imposições, colonizações e diversas outras formas de coerção. Porém, se compreendermos o pensamento ao longo da história como um processo inserido em conflitos e desigualdades, é muito difícil usar uma definição tão essencialista e suspensa de historicidade e materialismo. E o livre-pensamento é um filho do materialismo na sociologia e na filosofia, é uma categoria que compreende a coerção e as ideologias que têm amarrado o pensamento e que pretende criticá-las. Não seria necessário afirmar o livre-pensamento se houvese uma suposta comunidade harmoniosa em que o pensamento em si já é livre e na qual a individualidade está suspensa de determinações muitas vezes restritiv...

A libertação de todas as ilusões

Todas as pessoas já nasceram com nirvana (=extinção em sânscrito) no sentido que não existe um ciclo de nascimento e morte que as prende. Não há que vigiar os pensamentos para se aperfeiçoar e se tornar de uma sabedoria transcendente, que, afinal, não existe. O mundo das ideias perfeitas não existe, sendo uma abstração metafórica que foi levada a sério demais por cultistas do nada. Não há samsara (=perambulação em sânscrito). Essa vida é uma jornada que tem um fim permanente para esse conjunto confuso de personalidades inconsistentes. Não há nenhuma mente inorgânica que salta para outra dimensão. Isso sabemos. A mente é um produto do cérebro. Não houve uma queda da graça divina porque não há deus que tenha criado um ideal perfeito. Tudo isso é só muito querer de quem exige uma transcendência, um modo de dar conta do que ignoramos, mas fingir saber não adianta. São histórias da carochinha para amansar a plebe que a classe patrícia patrocina para poder seguir no roubo, no assassinato e n...

Fragmentos irreligiosos 1

Resposta à um convite genérico para se tornar teísta: Creio que não há evidências para afirmar uma divindade ou divindades. E dada a pluralidade de ideias humanas a respeito de algo que deveria ser definitivo, ou seja, o sagrado e o divino, enxergo fortes indícios de ser tudo criação humana. Se uma divindade criou o universo, teríamos boa ideia de como esta é, ou se há muitas. Mas nem os monoteístas concordam, sem falar que há muitos outros modos religiosos de ver o divino além do monoteísmo. Cada um tem certeza que está certo.  Outro aspecto importante é que, se admitíssemos de modo simples que há um deus, ignorando o problema acima, ou que há tais deuses, enfim, decidíssemos qual religião é a verdadeira, ficam os problemas lógicos de uma criação inteligente: o problema do mal, o problema da descrença, o problema da ocultação divina, o problema (já mencionado) das revelações plurais, o problema da falta de necessidade de uma esfera divina para entender a realidade objetiva, entre ...

Religião e o caso do aborto de uma criança estuprada

  Em referência a esse caso: https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2020/08/17/crianca-de-10-anos-expulsa-feto-e-passa-por-avaliacao-para-finalizar-aborto.htm Um dos motivos pelo qual o fim da religião seria bom é que não haveria uma pressão do tipo anti-abortista em caso de estrupro de menor. Essa é uma preocupação 100% religiosa, vem do pensamento mágico, da ideia de alma e das ideologias chamadas de modo eufemístico de "pró-vida". O médico envolvido nesse caso, por exemplo, foi excomungado por defender contracepção e abortos desse tipo. O que sequer significa ser excomungado hoje? Uma grande honra.  Proponentes desse culto do sacrifício humano muitas vezes dizem que o estupro é um pecado retificável, enquanto que o aborto não. É essa lógica bizarra que produz a leitura do manual de bizarrices que eles chamam de livro sagrado: também a matança de "bruxas" e "feiticeiros", a prática do exorcismo, o patriarcado, a heteronormatividade, a monogamia...

Espiritualidades do além e suas evidências

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Os praticantes dos caminhos meditativos estão hipnotizados por frases inteligentes em meio a narrativas supersticiosas (outras vidas, justiça cósmica e apassivamento da personalidade como algo bom... e, no hinduísmo, até mesmo deus). A prática das vias asiáticas e suas muitas doutrinas hindus, budistas, jainistas, vedantas e sramanas, assim como o espiritismo e vertentes ocultistas e xamânicas produzem "evidência" com atividades de delírios induzidos. Imagine ficar dormindo pouco e comendo menos em prática meditativa constante, já tendo um roteiro canônico e até mesmo uma condução metodológica que põe num trilho necessário a progressão do que acontecerá na prática. Não é surpresa que muitos "atingem" essa prática. Algumas seitas usam repetição de mantras para induzir delírios, visualizações e êxtase. Hipnose básica. Drogas psicodélicas podem fazer o serviço em seitas xamânicas, produzindo a experiência psiconáutica que é interpretada à luz do sagrado, quando têm ape...

Espiritualidade libertária

O que se conviu chamar de espiritualidade é uma forma de contemplação da própria mente, do próprio coração e emoções, relacionando-se com o resto da existência a partir de si. Muitas pessoas a partir daí encontraram o êxtase da atenção básica em si e conseguiram apreender partes do funcionamento da construção da identidade própria e também no outro, em relação à construção simbólica, sensual e conceitual da identidade.   Tendo essa percepção, na antiguidade se usou metáforas de algo absoluto/transcendental (deus, todo, libertação, vazio, astral, etc.) para falar desse espectro "mais real" antes da experiência imediata.   A cultura forneceu as personagens e categorias para montar narrativas, que, tomadas como o cerne da questão, geraram a religião e seu papel social de dominação e justificação do poder.   Sacerdotes e religiosos que jamais experimentaram essa análise interna muitas vezes passaram a cuidar das narrativas e sua interpretação "verdadeira", enfeitando co...